O verdadeiro eu

Deve haver uma entrega real do eu. Você precisa jogá-lo fora, por assim dizer, “cegamente”. Cristo lhe oferecerá uma personalidade de verdade, mas você não deve procurá-lo só por isso. Se a sua personalidade verdadeira é o que importa, então é bem pouco provável que você procure a Cristo. O primeiro passo nessa direção é tentar esquecer o seu eu de uma vez por todas.


O seu verdadeiro e novo eu (que é de Cristo e também seu, sendo seu justamente por ser de Cristo) não surgirá enquanto você estiver procurando por ele. Surgirá quando você procurar por Cristo. Isso lhe soa estranho? O mesmo princípio se aplica às coisas do cotidiano. Até na vida social você jamais passará uma boa impressão às pessoas, enquanto não parar de pensar sobre o tipo de impressão que está passando. O mesmo se aplica à literatura e à arte; ninguém que se preocupa em ser original será capaz de ser realmente original; se você simplesmente se empenhar em dizer a verdade (sem dar a mínima para a quantidade de vezes que ela já tenha sido dita), em noventa por cento dos casos você se tornará original, sem ter se dado conta disso.

Esse princípio perpassa a vida toda, de alto a baixo. Abra mão de si mesmo e descobrirá o seu verdadeiro eu. Perca a sua vida e você a salvará. Submeta-se à morte, à mortificação das suas ambições e dos seus desejos favoritos todos os dias e à morte do seu corpo no final; submeta-se com todo o seu ser, e achará a vida eterna. Não retenha nada. Nada que você não entregar será realmente seu. Nada que não tenha morrido em você poderá ressuscitar dos mortos. Se você continuar buscando-se a si mesmo, ao longo do caminho, só achará ódio, solidão, desespero, fúria, ruína e decadência. Porém, se você buscar a Cristo, certamente o encontrará e com ele todas as demais coisas acrescentadas.
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Um Ano Com C.S.Lewis, Editora Ultimato.

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